quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

MATUSALÉM(MATUSALÉM!) - verbete glossario etimo


O amor beija de verdade
com unhas e dentes
língua e saliva trocada
sem nojo
com gosto
Beija furiosamente
com todo o ser,
o corpo em frenesi
a alma em gáudio
O primeiro beijo do amor
tem toda a sede do deserto
- sede que acha sede no oásis.
O amor é oásis no deserto
e oaristos sob o ruflar das cefeidas.
Ósculo que sela o pacto
- este o selo do "pathos".
O amor é um "pathos"
que faz esquecer a renite da filosofia
e a economia da política
Aliás tudo é política
na economia humana!,
ainda o amor,
a paixão efervescente,
incipiente, incisiva, evasiva...

A paixão beija na boca com  sofreguidão,
beija bem demais!
- e sempre esganada,
sempre desesperada
como se aquele fosse
o último beijo,
o beijo de adeus!
A paixão sempre dá adeus
porque não sabe
se haverá amanhã,
se outro dia virá
com a bola do sol
e a lã caprina da noite
escura no ventre livre,
escusa que nem precisa se escusar.

Amar se aprende
ou nos pegamos amando outrem?!
Na quadra infantil
somos tão mimados,
parece que o sol cintila
dentro do nosso corpo
(e como rutila!)
que o mundo em pessoas
se volta para a criança
como se fora um rei guerreiro, tirano,
uma rainha mimosa, despótica.
Chega a puberdade
e o amor é retirado bruscamente
quando, então, o "abandonado" à indiferença
e pertinazes cobranças
se sente perdido
e se procura em outro
- que passa a ser seu sol exterior
iluminado pelo na pele
e no interior,
no plexo em brasas,
nos abraços abrasivos,
num amor de abracadabra,
com fulcro no pensamento mágico.
O adolescente ensaia o amor,
que, na maioria das vezes,
jamais chega,
ou se chega, não temos maturidade,
mesmo aos 30, 40, 50 ou mais anos,
para amar ou não sabemos mais amar,
nem ser amados.
já nos esquecemos
porque estamos casados,
acomodados, acovardados,
proibidos de amar pela moral,
a falsa moral,
pelas leis e pelos costumes
e outros estrumes
que sedimentam a hipocrisia
e amplia a solidão a dois, a três...
a quantos filhos e amigos forem
os comensais e os beberrões
a rir de suas momices toscas
com se fossem
as pessoas mais felizes do mundo
enquanto houver acepipes,
quitutes e bebidas fermentadas ou destiladas.

Amar é sinônimo de vida,
mas somos proibidos por lei
de amar e temos que amargar
um péssimo enlace matrimonial
tudo por medo de mudar,
como se não fôssemos mudando
ata a transformação da morte.
A lei e os médicos meticulosos
nos aventam a ideia esdrúxula
de que somos eternos
e que o amor dura
igual a pedra dura
ou a tez da juventude,
com os arroubos todos.
- Um teatro para marionetes,
míseros títeres
é esse amor legal,
responsável (com quem?
- se não respondem
nem corresponde o sentimento
do casal em divórcio
- sem voz
e sem razão salutar?!
Precisamos viver esse velório
por causa dos filhos,
que nos deixarão?!).

O amor é, de fato,
a economia da loucura;
por isso os velhos e jovens
e as pessoas maduras
de todas as idades,
são coagidos por lei
a desistir da amar.
O amor é proibido e coibido.
Por que se fala tanto
e em todo canto
- de amor?!
Porque é raro
e não é tolerado
- pelos invejosos
e, principalmente, pelas invejosas, frustradas.

O amor beija na boca,
mas só com esta paixão
se faz tanto,
pois se não se estiver
doudamente apaixonado
não há ósculo
nem amplexo
mas nojo, repulsa.
O amor se busca
um no olho do outro
e depois um na boca do outro...
beijo febril qual vulcão em chamas
erupção e lava ardente
e fluxo piroclástico.
Somente a paixão grega agrega
que é o mesmo amor latino, romano,
que na igreja é chama de serafim
na palavra "Caritas".
Só o amor, a paixão,
vence o asco
e beija com ternura,
embora ansiosamente,
sequioso da água
da boca do outro
ou da outra.
água para beber,
água para a vida eterna,
fonte do amor sublime
que na igreja é o amor dos serafins
que em chamas é denominado "Caritas"
e no anjo grego
se diz ágape.
( o amor não é escolhido por nós,
mas pelo corpo,
que o reconstitui das cinzas do vulcão,
levanta-o das cinzas da fênix,
das cinzas do tempo).

O amor beija
e com esse ato bizarro
vence o asco natural.
A paixão faz perder o juízo,
o siso vira cizânia
e joga sobre o corpo
cinzas de penitencia
cilício e outros instrumento de tortura
trapos cobrem o penitente...:
a paixão é a economia da loucura.

O amor empreende fuga
da colônia penal
sob a qual vivemos
sob  os nomes mais angelicais
de cultura e civilização,
fábricas de prisioneiros da responsabilidade,
que nos faz esquecer
que não somos eternos,
mas ternos seres
despojados da ternura
pelas vestes da lei.

Amar é sair de si
doar-se a outro
sem qualquer interesse
que não seja amar
e ser correspondido plenamente
até o tempo assassino
matar o amor
e os enamorados.

Eu sou um filósofo,
não um professor de filosofia,
- e um filósofo é um poeta
um homem livre
inclusive da alienação que representa;
um filósofo é às vezes
um epicureu, outras um cínico,
na acepção de escola filosófica,
um estóico, um tomista...
enfim, um homem que absorveu
todo o acervo filosófico e poético,
toda a literatura,
toda a erudição de  todos os tempos
e das várias culturas, línguas e civilizações.
o filósofo é um homem livre,
não se deixa prender nas armadilhas políticas;
um homem independente,
emancipado,
livre de si e do peso dos imbecis
e da da parvoíce deles
e de sua grei.
O filósofo , que nem se admite filósofo,
porquanto não faz da filosofia profissão de fé
e está cônscio da alienação
que é o papel teatral, cômico,
do professor de filosofia,
que assume ares de filósofos
para os pobres efebos.
Um filósofo faz da filosofia
um cepticismo teórico do conhecimento,
consonante Nietzsche,
mas nunca um ceticismo prático
dos porões onde estão presos os bobalhões,
dos histriões que pensam ter poder :
reis, governadores, catedráticos, escritores...
- porque um ceticismo prático não existe,
o homem é mais complexo que o filósofo,
que o poeta , o monge, o político...
de que todos os atores do ser humano
representando a peça teatral na moda do tempo
ou o texto em contexto.
O cepticismo é teorético,
pois na realidade intrincada e rica
do ser humano vivo,
atarefado atravessando o rio caudaloso da vida,
distraído e inquieto com esta travessia,
preciso da fé,
- da fé no amor  reciprocado
em eco na garganta profunda,
de onde se grita
- por ela,
a medusa, neste instante,
longe fisicamente,
mas quão próxima mentalmente,
nas mensagens que vem
e ondas eletromagnética no ar,
dispersas ( em Persas!),
comunicando-se comigo
e eu com ela
de átomo em átomo,
batendo o tambor atômico
que a tecnologia ainda não descobriu
na psiquê humana
e quiçá animal.
Alias, a fé é a profissão de fé do poeta,
do profeta e do sacerdote,
do místico sublime,
do asceta e do monge,
de cada uma das alienações do homem
e da mulher!
cada um de seu lado
e com seu interesse político
( tudo é política
na economia humana!)

O amor beija
com duas línguas de fogo
ou em fogo no serafim :
a paixão, que beija em grego
e o ósculo do amor em latim.

Amar é agir como se o tempo não existisse;
é como se não fôssemos jamais
destruir nossas faces de areia
ao levá-la à água doce
e lavá-la com a água
que mensura o tempo na clepsidra
ou na ampulheta
que vai contando o tempo
em areia da face
que passa pelo rio da vida,
arroio que rói.

Desmanche de faces
não conta no nebuloso
Relógio de Areia
em Nebulosa no céu.
Quão nebulosa é ela!...

Oh! o amor à amada medusa,
musa!
- dura setecentos anos
escrito em poemas no cálcio dos ossos
- de um Matusalém.
( O amor é outro Matusalém
que vai além
- do mal e do bem!,
do pobre e restrito,
tímido, maniqueísmo no pensar :
a  máquina maniquéia de pensar).

( Sou, de certa forma, incréu,
não creio em nada
de modo absoluto,
nem tampouco na "ditadura do relativismo",
consoante diz o Papa Bento XVI,
mas, sem ser quixotesco,
entrego-te a minha vida,
- a ti que és a medusa!

- de dar medo!).

(Excerto dos "Apócrifos da Medusa").
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terça-feira, 1 de janeiro de 2013

FLERTE(FLERTE!) - etimlogia wikdicionario dicionario


No Livro da Medusa
está escrito por mim
que minh'amada
é uma Medusa:
mulher, mito e animal
e, evidentemente, vegetal,
porquanto é o sistema do vegetal,
dito vegetativo,
que há em todo animal,
que mantém os seres vivos
vivos.
(Aloe "Medusa",
aloe medusa!).

Água-viva é minh'amada Medusa:
um ser para mar
e muito amar...
- a maré...:
 baixa-mar!
preamar! :
sobe-mar!
- dos Sargaços!
Eis as ordens dos minoritas!

Lua e mar,
mar e lua,
a se mirar
na amplidão
do coração que cora no mar,
pois o luar
vem amar o mar
ao mergulhar
com corpo de mergulhão
e, destarte, amar o mar
enquanto lua,
na palavra para fêmea
e mar,
na fonética e grafia para macho,
no encontro macho e fêmea
criado pelo Criador incriado,
ingênito,
unigênito em Jesus Cristo :
o homem e o Deus
concebido pela imaculada.

( O flerte(flerte!) do mar
e da lua
constituem elementos de tragédia
na paixão e suicídio
da louca Ismália
no poema trágico
de Aphonsus de Guimarães,
um pobre, rico Aphonsus!
cheios de responsos
nos sinos que bimbalham
na paixão Segundo o pobre Alphonsus,
em magoados responsos.
Traria  Ismália,
em seu seio virginal(?),
todo o "Setenário das Dores de Nossa Senhora",
em "Câmara Ardente"
de uma "Dona Mística"
na espécie "extante" de Adélia Prado...:
outra "Dona Doida",
na poesia que envolve em anelo
uma economia da loucura:
"Encomium Moriae".
( P.S. : Em função desta economia,
sempre política,
que nos massacra a todos,
o codinome medusa...
para dizer,
em indústria de silêncio
a laborar de rocio a rocio
sem ouvintes impertinentes,
- para ousar expressar
 o quanto a amo,
do "quantum" deste amor
há em meu peito arfante,
e tentar, assim,
debuxar, bosquejar,
delinear, esboçar,
uma descrição
com discrição...
com licença
- poética
sua, madame,
minha dama!)).

Minh'amada medusa
nada no mito e no mar,
no mar  de amar o vermelho do sangue
em hemoglobina,
compostos constituintes
do  inteligente e sábio
sistema nervoso vegetal,
que em mim têm regência,
pois é o que me faz vegetal
e, concomitantemente,
um ser vivo
para a medusa
na planta do corpo.
Aloe Medusa!
Aloe maculata,
aloe saponaria,
aloe umbellata,
aloe perfoliata,
aloe latifolia,
aloe leptophylla,
aloe brevifolia,
aloe brevioribus,
aloe prolifera,
aloe ciliaris,
aloe variegata...

Medusa

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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

PASTORAL(PASTORAL VON BEETHOVEN!) - etimo dicionario glossário

Medusa
Minh'amada Medusa é mortal,
a consonar com o silogismo
do "Corpus aristotelicum",
que ora, ora no meu cantar
eivado de cantares:
que o ser se desmancha no ar,
evola-se do corpo desalmado
evoluindo em espirais
sem ais ou quaisquer alongamentos mais.
Momentos de movimentos finais
nas pastorais em sinfonias corais
escritas pelo poeta em hora de aedo.

Ademais, o ser se dissipa,
literalmente e naturalmente
restando o corpo aos vermes,
que dançam seu tanto de tango,
e os ossos para o tempo roer
( o tempo é um rato! :
um roedor pertinaz,
perspicaz, assaz na perspectiva
suspicaz  de "Mickey Mouse",
habitante do mundo imaginado,
paginado, desenhado,
jamais desdenhado
até que se vá
o dente do siso
no boticão do odontólogo.
Dentista era Tiradentes,
aquele inconfidente.
(Loquaz, mordaz, falaz, rapaz...,
ao "surrupiar" da boca
um sopro de assovio
de flauta natural
em Pan refugiado do mito?!)).

A Medusa que respiro,
que me sopra o ar
com o oboé em ostinato
na pastoral(pastoral!) de Beethoven,
pode deixar de mover
a alma dos gases nobres ou pobres,
ricos ou de bico
e expirar na nova sinfonia,
sua cobra coral,
para a Cleópatra que é
junto ao ser da Medusa,
sem blusa...
em flor difusa
que acusa
a volição, a volúpia
da Harpia, no gavião pedrês,
macho e fêmea criados
para a hora crítica da  paixão
com Cristo ou sem Cristo...
na unidade dos corpos
- e penas!
que dão o voo
e a dor em contraponto,
fuga da vida,
anúncio, anunciação...
- núncio da morte
e signo de vida.

Se a Medusa, que em meu corpo
é terra e água do mar,
parar de respirar
e com seu sopro de oboísta
mover céus e terras
pela atmosfera que cria em mim,
ficarei sem alma,
sem "atmosfera" para insuflar os foles
que tocam a música da vida
originária da Musa que é minha Medusa:
a Musa de revoltas madeixas
ao vento boreal
que os despenteia
em meia teia de aranha.

Sem a presença dela
dando alma à minha atmosfera
ficarei sem esfera
e sem Era geológica;
passarei  a inexistir
ou a existir sem vida,
mero ente sem ser,
pois a minha vida
é toda este amor
pela cabeça, pelo corpo,
pela alma e pelo ser da Medusa,
que é minh'alma,
- minh'alma até no miado do gato,
no chiado e correr arisco do rato
que tem uma cota de tempo
- no próprio tempo!,
ao menos em  castelos de "Castilha"
e em Andaluzia,
que sem Medusa
não luzia,
não luziria,
não luzirá
e não há-de luzir,
porquanto o universo se apagaria
e o cadinho estelar
morto sem seu "ar",
( oriundo de um oboé "soprano"
soprado do plano de um imaginário
País das Maravilhas sem Alice,
não aliciado(aliciado!, por Alice!?...),
escureceria ainda mais
o carvão-de-escuridão,
a hulha  da noite sem fim
para mim
já (jaz!, Jazz) com a alma negra
sem o oxigênio das narinas dela,
da minha Medusa,
meu oboé, minha oboísta solista!

 

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sábado, 22 de dezembro de 2012

AFORISMO(AFORISMO!) - verbete


A escrita é uma dança com os dedos
e a mão que quer e acaricia :
- a carícia
na carestia,
na velha tia,
na hóstia, na eucaristia,
que toda tia gosta
e de mãos postas!
- posta a mesa
para o glutão
e para a comunhão
com Cristo,
nosso Senhor...

Na "Ostia Antica":
Roma existia
vítrea,
vitrificada
no vitral.    

A pintura outra dança
no mover da mão
a braço com o abraço
do braço com a tela...
Bela, a fricativa na boca,
sibilante,
uvulares,
labiodental...
na dança
com língua
de Sancho Pança
e Dom Quixote(Dom Quixote! :
que dom o dom de Dom Quixote!)
no mote
e no bote da serpente
enrodilhada dentro do bote rio abaixo,
a sibilar
na sibila (que sibila!),
na pitonisa,
na píton reticulada
e em Pitágoras :
agora sem Ágora).

A mão dança nos dedos
ao desenhar o arco
do triunfo
que é uma dança no papel
do arquiteto
que a passa
em contradança
ao papel papal
que nem de uma papisa
- no papiro
tem o signo
onde giro eu
- eucarionte
ontem e tresontonte
do ventre livre
ao Monte Carmelo
hoje em um monte de caramelo
ou um amontoado de machimelo
em toada doce
de iguaria sem igual
para massagear os dentes
de leite das crianças
em danças
de infante
grimpante
e bactérias
quase etéreas
no lado invisível
do mundo cão pastor :
"Canis Minor",
"Canis Major"
a consonar com o céu
sem o anil vil,
metal, metálico.

O pensamento é uma "dançarina"
- uma bailarina
descrevendo senóides
pelo senos,
co-senos séculos fora.

As Três Graças de Canova,
Boticelli... : O pensamento é...:
as Três Graças!
- e um bailarino
no filósofo-filólogo Nietzsche
que de ditirambo em ditirambo,
aforismo em aforismo,
até o desaforo!,
se dizia um dançarino,
porquanto salta o pensamento
aos olhos,
no caprídeo deus Pã,
desenhado, desdenhado,
e em ondas senoidais
quais peixes que tais
se acham em nado
( que nada!)
na cascata do rio São Francisco
de água santa e benta,
água com madeixas encaracoladas
pelos cabelos das sereias
e das medusas
descendo a cachoeira
que pranteia
o amor feliz
e infeliz
de minha avó,
em algum lugar
da não-Mancha( Mancha, manchego!,

não mancha)
ou da não-Mancha
no manche da Manchúria, quiçá,
de cujo nome
prefiro olvidar-me,
ou deixar descer
ao olvido,
sem ouvir
o rio letes
a bailar no leito,
lento, silente e sem leite,
aonde vamos em descenso
a braços com o barqueiro Caronte
em barcarola funesta,
que levara Menipo,
segundo o segundo evangelho da Menipéia,
vetusto apócrifo ,
não meu, nem teu,
nem do ateu, nem do arameu,
nem de Orfeu...

A filosofia
e a poesia
é toda uma dança,
o mito em rito,
que dança é
e dança vivendo,
na mostra de saúde,
enquanto há vida...;
pois "enquanto há vida
há esperança", de dança!,
de amor!..., dizia minh'avó,
em sua fé,
antes do mundo acabar nela,
desmoronar a alma
dentro dela.
Todavia,  se há esperança,
há esperança que salve
o verde que brota
no sistema vegetal,

sistema verde
que nutre e repara a vida,

dá alma à alma... :
Sim, há  esperança que salve
e isto não é um fato,
mas um ato humano,

pois os fatos
já estão mortos
e embalsamados
sob os signos da história.

A esperança
é um ato humano;

ato este que produz  esperança :
"SPE SALVI facti sumus",
dança a carta encíclica
do papa Bento XVI
na mão e no pensamento
do santo padre :
sumo pontífice.

 
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domingo, 9 de dezembro de 2012

NÉCTAR ( NÉCTAR!) - verbete

Cássia-imperial (Cassia fistula)
A flor caminha bastante
- é caminheira, andarilha,
enquanto brilha a trilha,
milha a milha,
jardineira, arqueira...
cuja flecha é a semente
atirada à maneira de projétil(projéctil!)
lançado com a funda ou a besta
- plantado os pés ao solo de trompas(trompas!)
para aquilatar a porfia
que havia, e se afia,
ainda na fiandeira de hoje,
entre Davi e Golias,
desiguais rivais
não fosse o fundo da funda
fundo ...
Aliás, aliada a Jacó e Javé,
Raquel e Lia,
Sansão e Dalila,
a porfia lilás
das liliáceas(liliáceas!)
amarelas ("amaryllidaceae, "amaryllidaceae!") no lírio
e rubras...- de cólera! -
no anum  que descobri
num vibrião colérico.    

Vai, vai, vem  pelo caminho do bem
do sim e do amém :
azul carmesim amarela
- de um amarelo mais vivo
que  o pintado nas asas das borboletas
- amarelas
velas em asas navegando no ar,
naves, planadores...

Vai, vai e vem no vaivém das estações
pela "Via Cassia"
em castiço latim
para a acácia
silente ente verde
não cantarolar .

Escala morros, penhas,
e entre as brenhas está
com amor de flor :
a flor!
que pára para abelha se melar toda (tola!)
no todo do mel sem apicultor (tolo!),
mero ator econômico
no seu "Encomnium Moriae"
em quotas no quotidiano. 
 
("Spe Salvi" caso seja a personagem
divina, mesmo na comédia média,
mediada de imediato
pelos atos do poeta
no palco dos signos 
e símbolos, enquanto escritor;
farsa escrita para ser inscrita,
ínsita no espírito da tragédia grega
que se nutre do néctar da flor
e dos deuses mitológicos :
"flores do mal"-estar mental
e do "Mal do Século":
A tísica ou o tísico?!... 
O néctar! Ah! o néctar dos deuses!
- um maná na glicose
que se representa em corpo feminino
no corpo formoso
ou em formação de formosura 
onde abunda a glicose
armazenda em amido(amido!) e lípídios,
que alimenta o menino e o homem
de corpo e alma
e lhe dá um sopro de oboé
no espírito que, só então,
entoa desde antanho
a canção da vida  
em letra e música 
na musa de Alfred de Musset
que carregava impertérrito(impertérrito!)
a carga do "mal do século"( em confissões!);
pretérito mal,
com mérito e ritos,
ritmos de poesia romântica
carregada de sândalos (sândalo!)("Santalum album")..

A flor pisa o solo do caminho com sementes
e leva um caminhão
- de flores
da bonina ao miosótis
a peregrinar à Meca.

A flor caminha bastante
- é caminheira, andarilha,
jardineira, arqueira
cuja flecha é a semente
atirada à maneira(maneirismo!)de projétil
lançado da funda ou da besta
ao solo de trompas.

Vai, vai, vem  pelo caminho do bem
do sim e do amém,
do vai e vem, no vaivém 
de "As Primaveras" 
obra poética de Casimiro de Abreu :
azul carmesim amarela
- de um amarelo mais vivo
que  o pintado nas asas das borboletas
- amarelas
velas em asas navegando no ar,
naves, planadores...
cheirando o nariz do cinamomo(cinamomo!)
esparso no espaço que é ar a respirar
(Este o espaço!) :
"Cinnamomum cassia"
ou "Cinnamomum aromaticum"...:
madeira doce,
qual água doce,
dulcíssimo mel...

(És, Cassia, melhor que Ester
contra o Grão-vizir...
ó estrela Vésper!
- mais bela que Vênus
aglutinada na palavra
que refaz na vista
o planeta da deusa romana
em Estrela d'Alva,
da minh'alva
e minh'alma,
que não é minha,
mas tua, tua, toda tua,
no que atua
a tua alma
que minh'alma é
e ama a mar oceano 
sem fim de água azul...
- verde de palmeira
a bater as palmas
ao saber do amor inato
entre dois seres
que não podem viver em dueto,
mas sim em uníssono :
um só sono
e um só sonho.
Minh'alma não é alma
sem a tua alma!
- Sem a tu'alma
minh'alma é alma-de-gato(alma-de-gato!),
ave passariforme meramente,
da ordem menor dos frades mendicantes:
frade mendicante... 
com a alma no gato!
- sou sem ti
sentir!
- por perto do caminho a pé.  ).

A flor pisa o solo do caminho com sementes
e leva um caminhão
- de flores
da bonina ao miosótis peregrino(peregrinos!)
- em peregrinação à Meca,
 rumo à Meca.

E que chova potes
no chapéu do miosótis!

French horn.jpg

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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

ÉSTER(ÉSTER!) - verbete

Cássia-imperial (Cassia fistula) 
A flor caminha bastante
- é caminheira, andarilha,
jardineira, arqueira...,
cuja flecha é a semente
atirada à maneira de projétil
lançado com a funda ou a besta
- plantado os pés ao solo de trompas

(e trompas! - de Falópio...)
para aquilatar a porfia
que se afia
entre Davi e Golias...

Vai, vai, vem e vem no vento, a flor,

 pelo caminho do bem
do sim e do amém, vai e vem :
azul carmesim amarela
- de um amarelo mais vivo
que  o pintado nas asas das borboletas
- amarelas!
- amarelas velas em asas navegando no ar,
naves, planadores...
Vai, vai e vem no vaivém das estações
pela "Via Cassia"
em castiço latim,

casta Cássia, Cassiopéia :

vestal no céu noturno

em piano(piano!) de Chopin,

num estudo para piano

batucando a noite

que cura a escura ferida 

da ave (Maria!) na ventania...

da mariposa na chuva fina...      

Escala morros, penhas,
e entre as brenhas está,
com amor em flor, 

- a flor! :
- a flor para-abelha! :

para abelha  se melar toda (tola!)
no todo do mel sem apicultor (tolo cultor!):
mero ator econômico

ao mercar (mercar!).


("Spe Salvi", entretanto, 

 caso seja a personagem
divina, mesmo na comédia,
nos atos do poeta,
escrita para ser inscrita,
ínsita no espírito da tragédia grega,

que é a fina flor da sabedoria humana,

par com a Bíblia Sagrada :

obra profana e sacra.

O ser humano é a tragédia grega

e a comédia de Aristófanes, Dante...

Mas em ufania, epifania... 

está nos Testamentos,

testemunhas da história :

a história do homem 

com esperança em Deus:

esperança salvífica! :

economia da salvação ).


Vai, vai, vem  pelo caminho do bem
do sim e do amém :
azul carmesim amarela
- de um amarelo mais vivo
que  o pintado nas asas das borboletas
- amarelas!
- amarelas velas em asas navegando no ar;
naves, planadores...
cheirando o nariz do cinamomo(cinamomo!)
esparso no espaço que é ar a respirar
(Este o espaço!) :
"Cinnamomum cassia"
ou "Cinnamomum aromaticum"...:
madeira doce,
qual água doce,
dulcíssimo mel...
(És melhor que Ester
contra o Grão-vizir(Grão-vizir!)...
ó estrela Vésper!
- mais bela que Vênus
aglutinada na palavra
que refaz na vista
o planeta da deusa romana
em Estrela d'Alva,
da minh'alva
e minh'alma,
que não é minha,
mas tua,
no que atua,

ó Cássia dos cinamomos!,

melhor és que éster(éster!), Ester, Esther, Vésper... ).

A flor pisa o solo do caminho com sementes
e leva um caminhão
- de flores
da bonina ao miosótis(myosótis!)
a peregrinar à Meca.

E que chova potes
no chapéu do miosótis!

 Ficheiro:Myosotis victoria dsc00894.jpg
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sábado, 1 de dezembro de 2012

CRÔNICAS(CRÔNICAS!) - verbete

Meu tio-avô tinha um carro antigo
preto, daqueles tipo manivela,
mas já sem manivela (manivela!),
cujo motor fazia um ruído de gente gargarejando
com romã e água :
glute glube "gluve"
gargarejava o motor
( Será por isso que amo carros antiguados,
daqueles do tempo do dele?!)

Ele era alto, magro, moreno ao matiz  da melanina
ao "andalus" ( Al-Andalus")
dos povos de Espanha
( meu pai se dizia de Mar de Espanha!),
dos mouros, moçárabes de Granada,
contido em sua aparente frieza inacessível,
de pouca fala
não desperdiçava uma palavra,
introvertido,
calmo, frio ( frio?!) médico e homem
tal qual meu avô,
seu irmão,
que não conheci,
não sei do temperamento,
se quente, se frio, se morno,
se extrovertido ao modo do jargão de Jung,
porque morrera num desastre de avião :
teco-teco, imagino,
quando minha mãe orçava pelos seus quinze anos!
( Por isso tenho medo de entrar em avião
e fascínio por jato supersônico
rompendo a barreira do som
suspenso no ar da manhã de abril...?!
E estudei medicina desde tenra idade,
autodidata (autodidata!),
e em  menino inventava remédios
para as galinhas
e operava os pés lacerados dos galináceos?!
Seria rito genético
estudar com afinco genética,
ornitologia, entomologia, psicologia...
 desde os 8 meses de idade?!
Fábio de "faber" não crê,
mas Fábio de "bio"
- "sábio".)

Morava a um filete de luar de casas
lá de casa,
nem mais quadra ou quasar.
Vivia amancebado com uma mulher gorda,
muito branca, de voz roufenha,
simplória como a glória
de um homem.

Ele me parecia velho,
mas aos quinze anos
quem não é olhado como velho pelo jovem?!
( Esta a alteridade do mancebo
com a Ancião dos anos?!...).

Devia orçar  (virar a proa do veleiro brigue

- veleiro brigue antes da arribar )
pelos cinquenta a sessenta anos,
o velho veleiro brigue.

Não sei se fora casado,
se tinha filhos;
com a mulher com quem coabitava
não os tinha.

À época eu não sabia
que ele era meu tio-avô.
Acho que quase ninguém sabia
e aqueles que tinham ciência do fato
mantinham a discrição do tempo
que fazia o ser do homem
costurado com o contexto temporal :
Costumes costurados ao homem de antanho.

Ele se estabelecera num consultório,
que era uma antiga vivenda,
frente à praça da Matriz
onde havia uma escultura de Cristo
toda branca de  lua no meio dia,
parecendo lua pintada da "cor" de nuvem branca...
a alguns passos do paço do caís,
que era um mirante para a areia alva,
duas rochas no meio à correnteza
de um rio santo igual a São francisco de Assis
abençoando a terra boa
de homens ruinosos,
a cobra "mboa", no tupi dos tupis,
guaranis guapos, guaranás, ananás;
serpente constritora
que do tupi "mboa"
migrou para o português na palavra jibóia :
uma canoa com canoeiros à margem do rio santarrão
e da economia marginal.

Quando eu ia ao consultório dele
na companhia de minha avó
ele sempre a tratava com desvelo
infinita paciência para com os seus choramingas de viúva
( Viúva de Sarepta!)
e quando ela emitia seus queixumes
sobre as dores que afligiam
todas as Marias das Dores,
suplicando por remédios
ele dizia : não é nada, Mariinha!"

(Qual o nome da rosa?!
- para mim este era o nome da rosa!...) 
Depois da consulta
quão aliviada ela parecia!
Saía aliviada da pena pesada 
que se impunha indevidamente.
Penosa carga,cruz lastimosa
de todos os Cristos que somos.

Outrossim, quando a moléstia era comigo,
olhava-me com uns olhos estranhos
de quem tinha caminhado ao meu lado
por toda uma vida antepassada
na estrada da genética
e conquanto aos ritos dos olhos
não acompanhassem o corpo
por causo do autodomínio
de um homem de cérebro gelado
e gestos contidos,
o olhar cumpria todos os ritos
de um zeloso e preocupado tio-avô
que, não obstante,
nem a palavra me dirigia,
embora me atendesse
antes de todos
que já estavam no consultório,
ainda que seu fosse o último a chegar
e o recinto estivesse cheio de pacientes.

Minha avó morava meio filete de sol
do consultório dele
mais perto dos pés descalços
do santo rio carmelita descalço
ande o profeta João
batizou muita gente
no tempo mítico
que é o pretérito
contado em fadas e duendes, elfos, sacis, lobisomens...
"muares" sem cabeça (mulas-sem-cabeça!).

Minha avó morava numa casa simples,
digna de atender à pobreza do santo de Assis,
que ali podia por embaixo a cabeça
com o chapéu de telha-vã.

Meu avô sempre marcava encontro com ela
na bela praça
que dava de olhos para o rio
cheio de amor com odor de peixes.
Até a água traz o cheiro do peixe em escamas
nas camadas do corpo-sereia.

Quando eles se encontravam
minha mãe, então com suas quinze primaveras,
estava presente.
Ele a tratava como filha que era e é
( verbo tem voz no presente,
mas guarda voz mnemônica
e imaginada para futuro sol).

A paixão do amor entre eles
é a mesma que emerge
em qualquer casal
preso à essa energia
que o corpo tem a despender
prodigalizando o melhor de si
na música que é a arte da vida
desde o soprar e puxar um oboé do vento
como instrumento de sopro
que dá o prazer de amar.
A arte é a felicidade física-química-elétrica
no corpo sadio
que pode se dar ao luxo do amor.
O amor é um esbanjamento de energia vital :
a maior riqueza,
a fortuna de ter vida plena a prodigalizar.

Quando meu avô morreu tragicamente
ele já havia acertado com minha avó
as bodas que teriam
se a morte não fizesse a travessia
pela metade do caminho
que não os separava
um Romeu e outra Julieta
que dormitavam na poética
escrita para eles, entre enamorados,
no sagrado livro do poeta santo.

Meu avô ainda era casado com outra,
mas minha avó não entrou no velório
como "a outra",
mas sim como esposa
separada pela morte
não do cônjuge,
mas do esponsais,
das bodas adventícias
marcadas para um tempo
que não existiu
ou deixou de existir com o finado corpo,
a finada energia do meu antepassado.

( O corpo é um acúmulo de energia,
uma armazém de vida,
que se consume rapidamente
quando  coração se desespera na corda,
dá corda na corda bamba,
bate desesperado para salvar a vida
e acaba por gastar toda a energia
nesta tentativa de sobrevida:
o organismo é uma fábrica de energia em produtos
e o depósito dessa energia em massa
a ser distribuído pela economia da vida).

 Os mortos estão vivos
- "in core"("in core, in core"!)
estão ativos no teatro mnemônico
e continuam com seu livre-arbítrio aberto,
ignorando os loucos polígrafos (polígrafos!)
que pensam que sabem pensar
porque sabem escrever com engenho e arte
à Camões, Luiz Vaz, "Os Lusíadas".

Não me lembra
a morte de meu tio-avô;
jamais tive notícia dessa morte,
senão num nome de avenida
em memória dele,
"in memoria Dei".
Mas se tem algo "in memoriam"
é porque ele morreu.

Não sei se ele era dos guelfos(guelfos!)
ou dos gibelinos;
devia ter seu merlão gibelino
nas suas fortificações
ou estar nas crônicas(crônicas!) da família guelfa,
mas nunca esteve em guerra :
só consigo, talvez.

Para mim meu tio-avô
continua vivo
com sua mulher e seu carro antiguíssimo
sua face serena, trigueira,
porque o que matou ele
foi o nome de rua,
mas não o nome da rosa
- da rosa que ele amava...
e ama!, porque é obra de Deus,
não obra do deus Cronos :
o amor é imperecível,
intangível, infungível,
sem fusível
que possa apagar a luz do sol
num céu solar ou lunar.

 http://scienceblogs.com.br/hypercubic/files/2012/08/ford-model-t-1908.jpg
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