quarta-feira, 13 de junho de 2012

SOFÍSTICA - etimologia etimo verbete glossário lexicografia léxico terminologia nomenclatura dicionário onomástico filosófico historiografia história wikcionário




Os profissionais recém-formados gaguejam uma linguagem epocal da ciência que representam, ou são "compungidos" ( por outrem) a representar teatralmente, como caixeiros-viajantes num mundo virtual, virado em internet, em que, para viajar, vagar, pervagar a mar aberto, não há mister de se mover o pé do chinelo ( o pé-de-chinelo!, - com o chinelo...).
Estes tartamudos alegóricos, copiosos sofistas olvidados , com o simples tartamudeio da linguagem que veste a ciência na qual atuam, primeiro enquanto saltimbancos, mágicos e outros entes circenses, posteriormente, passado o noviciado,  enquanto médicos, engenheiros, físicos nucleares, químicos, linguístas, enfim, atores em ação ou em pesquisa, ou seja, aplicadores da ciência ( no caso do engenheiros, médicos, advogados...), da ciência, enquanto gnoseologia,  tratada e comunicada sob os vários corpos de linguagem que a trançam em códigos, às vezes quase secretos ou herméticos aos leigos, ou seja, enquanto trabalhadores especializados exercendo sua profissão  na indústria, no comércio, enfim, na praça (Ágora); ou como pesquisadores, cientistas, insulados nas universidades ou na solidão a que se retiram, ou são obrigados ou se obrigam a retirar devido a hostilidade do ambiente que , muitas vezes, enfrentam, mormente quando a linguagem que elabora não se coaduna com o que se fala na praça do mercado ( e o mercado é quem manda!, é o reino aonde está toda a política e comunicação social, ao menos na sociedade burguesa cujo  balbucio compreendemos e somos compungidos desde tenra idade ); estes noviços conquistam o mundo construído enquanto massa humana com um simples tartamudear a novidade da linguagem revestida num contexto epocalizado. Evocam a imagem socrática do sábio teórico, mas são apenas sofistas mal treinados em retórica
( noviciado!) gasta antes da época lida pela mole do edifício que constitui a massa humana do período político adventício. A mole humana!: Massa.Homens cimentados juntos, destituído da maior parte de sua individualidade. Gêmeos siameses, almas gêmeas e outras expressões que lembram essa engenharia ou reengenharia.
Na verdade, a ciência é esse falar de sofista, que Platão ( ou Sócrates?!) identifica no diálogo "Sofista", na sua leitura parcial, mas o filósofo dos "Diálogos" é um detrator dos sofistas e da sofística. Contudo, malgrado do que pensava Platão no "Sofista",
a ciência é a própria sofistica, o argumento posto em ação, a fim de provar o que expõe em hipótese. A hipótese é o caminho para a tese ou para preparar a antítese.
A ciência se funda na  lei ("nomos") e no "logos" ( discurso lógico - para ser redundante e enfático!), daí a identificação de lei (lex no latim) e "logos". A palavra léxico, tem, aparentemente,  no latim, alguma raiz comum com o mesmo vocábulo para lei : "lex". Ambas dizem ordenando, dando ordem, ou observando a ordem, ou cumprindo-a,  no sentido natural, ao ler a natureza, e no sentido social, quando a linguagem científica é jurídica, ordena os homens, povos, nações : norma no sistema de regras.Todavia, é árdua a tarefa de estabelecer as relações no tempo e no espaço, na cultura e nas interações as mais diversas que essas palavras têm no período de história que cobre, desde o rastro no som e na escrita, um período em língua, o qual vem do sânscrito, vai ao latim e chega às línguas romances, românicas ou no ecletismo que o tempo põe em mistura, mescla em pura mixórdia sem "preocupações" racionais ou irracionais nos demais idiomas que orbitam as neolatinas, ou que as línguas neolatinas orbitam no entorno, consoante o ponto de vista do falante da língua em questão, seu centro linguístico, semântico, sintático.
A linguagem, que contém um percentual alto da ciência, é a arte a viabilizar o conhecimento científico enquanto ato de comunicação ( ato comum, oferecido à comunidade). A ciência é mais essa arte de linguagem do que conhecimento no sentido estrito. Esta arte está espargida pelas linguagens que tracejam e grafam a geometria,  as matemáticas com equações literais
( equações essas que são poemas para outro "mundo" : o mundo lido, descrito e pensado enquanto espaço e tempo), a química com sua tabela periódica dos elementos e seus desenhos das ligações covalentes, iônicas... e  a física, etc. Outrossim, subsistem as linguagens das técnicas manuais e tecnológicas, na automação, e dos algoritmos.
Todas essas linguagens copiam cuidadosamente a linguagem ou linguagens da sabedoria, que está escrita com genes, ou seja, se escreve na prática, não separa prática e teoria, como é o caso da ciência, porquanto a linguagem natural, a sabedoria,  é a própria práxis ou a única práxis dada em natureza e não comunicada na linguagem humana dos signos e símbolos representativos da efetividade, mas não a efetividade, que está na sabedoria natural, porém não na cultural, de onde provem a ciência sob linguagens do homem, com práxis mínima e apartada da teoria do conhecimento.
O conhecimento ou ciência, em seu discurso, sempre fala com o leque de três opções mínimas, ou seja, utiliza-se da dialética e põe a questão como ser no sentido das três posições que o ser é no "logos", no discurso : tese, antítese e síntese. Com tal plasticidade de, ao dissertar, abordar, e ser, concomitantemente, as três posições, no mesmo momento e no mesmo espaço, vira o conhecimento ou ciência em monstro de três cabeças, chifres e olhos.O ser, na gnosiologia, se dá ou se afirma na tese, mas imediatamente e no mesmo espaço exíguo, se contradiz ou se anula na antítese e, por fim, com a mesma plasticidade de arte, junta as partes da tese e da antítese numa síntese, abrindo o leque ao eclético, o que é um contra senso e suscita anfibologias, bem como se tece na tenuidade levíssima dos conceitos, que são tão palpáveis quanto os átomos na tabela periódica dos elementos, que são átomos em determinados períodos e não mais o são em outros períodos, quando são outros átomos, com outro número atômico, ou assim é lida a tabela periódica dos elementos de Mendeleiv, mercê do que oferece a plasticidade da linguagem que serve ou sirva a ciência, mas talvez não da sabedoria que informa a vida, a natureza, que é real e não mental, intelectual. Neste buraco aberto pelo ser se cava a ciência enquanto linguagem e linguagem que sobrevive do contraditório no âmbito do princípio da identidade, que não pode ser idêntico neste linguajar obediente ao tempo e ao espaço.O princípio da identidade se transmuta em princípio do ecletismo que vigora na síntese. Aliás, na síntese está o segredo da arte, da indústria, da invenção e inventividade humana. Na síntese a linguagem ou linguagens tenta se equilibrar dos seus dizeres e des-dizeres, da contradição inerente à arte da linguagem; arte árdua.
Na Grécia antiga, os sofistas e a sofística, antes destes professores da arte da retórica, abordam o argumento como ato de conhecer e distorcer o conhecimento, de dizer o ser e não-ser no discurso, mesmo porque os sofistas e a sofística tinham o ser como inexistente, mas, com o argumentação, seria possível provar com a linguagem ou as linguagens tanto o argumento da tese quanto da antítese. Hegel, depois, pôs  o ser do "logos" na síntese. A prova fora da linguagem vigora na doutrina do empirismo que, por ser outra linguagem, não pode, de fato, mas somente de direito, como manda a ciência, normativamente, mas não realmente,  dialogar com a linguagem que quer a prova fora de si,ou fora do ambiente da linguagem onde ocorreu o argumento, a tese. Não há ponte de diálogo para essa prova científica ao perquirir a prova em outra linguagem  da ciência : elas não podem transferir a prova de uma para outra porque as linguagens não se encaixam, nem se comunicam, senão num limite da relatividade do universo : uma,  o empirismo, é doutrina que fala com signos e símbolos naturais : mais sinais que signos; a outra, a linguagem falada, escrita na literatura, expressa nas matemáticas, que é linguajar de homens se comunicando, não se entende, nem se traduz, nem tampouco se pode transcrever em linguagem que não seja de signos e símbolos e sinais oriundos no transcurso do processo cognitivo do ser humano enquanto ser gnoseológico. Logo, a relatividade dada na relação fere de morte a prova, pois o que a linguagem para argumentar prova não é do mesmo universo de linguagem que o empirismo coloca : são linguagens que, com a relação, tem a parte intransponível e a parte que se comunica, mas não se tocam absolutamente, apenas no feixe infinito das relações.Esse abismo não ocorre na sabedoria porquanto a práxis é imediata, não rompe espaço ou tempo, não os separa em linguagens científicas.Não há prova em linguagens que não se podem comunicar, sofrer alteridade, que, nada mais é que recipocidade; a prova somente poderia ser possível dentro da linguagem que põe o argumento; entretanto, prova dentro da linguagem não é fácil, senão no âmbito matemático-filosófico, ao extrapolar fronteiras e fronteiriços.
A sofística e os sofistas introduzem o ceticismo no conhecimento, senão a descrença e o desprezo. Debique. O pensamento deles não leva à ciência ou tecnologia, utilizada na construção dos artefatos, mas tornam o homem livre de toda crença, inclusive do conhecimento humano e, consequentemente, emancipam-se da divindade, escarnecem o político e toda a sequência a que leva tal pensamento ousado e independente que vê na montagem do argumento a alienação do homem em filósofos e deuses, reis ou escravos, dentre outros papéis teatrais sociais, que descrevem  com o rito o mito em toda parte da cultura. Nietzsche é herdeiro dessa tradição.
Platão, ao contrário, espiona a sabedoria; daí seus pruridos místicos, suas crenças às vezes ingênuas, conquanto seu pensamento tenha construído uma ciência maior fundamentada na observação da natureza ( Physis) e do pensamento humano ou ser dado no "logos" ou na linguagem lógica. Kant é o maior expoente do platonismo-aristotélico.
A doutrina sofística dissolve o maniqueísmo, promove como governo a anarquia, expõe o niilismo inerente ao pensamento, escarnece a metafísica do ser ( ontologia), dentre outros corolários desse pensamento fecundo, eminentemente livre, que já traz em seu bojo as doutrinas de todas as filosofias, excepto a de Platão, que fica solitária. por outro lado, na doutrina de Platão e Aristóteles, a carga do bem é enfatizada ignorando a polaridade oposta ou não polarizando-a. É que o mestre Sócrates funda seu pensamento na virtude : o homem pode ser virtuoso, basta aprender a pensar... - com Sócrates! Nietzsche zomba dessa atitude unilateral, absoluta, que não vai nem além do bem e tampouco considera o mal polar. Otimismo exacerbado!, delirante, que informa o espírito da ciência teorética.
Antípoda da gnoseologia dos sofistas e da sofística que parte de um princípio similar ou precedente ao que Descartes retoma no "Cogito" ( Cogito, ergo sum" ou "peso; logo, existo", aonde se exprime a equação filosófica do ceticismo ), a gnosiologia de Sócrates, Platão e Aristóteles, na esteira daquela tradição de mestre para discípulo, contempla a sabedoria, que é divina
( natural ou em "physis") e despreza a destreza no discurso, conquanto os discursos de Platão apresentam muito do que se aprendeu da retórica de argumentação da sofística e com os sofistas. A escola socrática isolou a filosofia no caminho que vai de Sócrates, o primeiro mestre, passa por Platão e chega às culminâncias inimagináveis com Aristóteles, no fim da filosofia ou no fim proposto por aqueles três filósofos à filosofia,  que é obra exclusiva deles,  e não passa antes deles existirem,  pelo pensamento grego, nem pelo pensamento de qualquer outro povo. A filosofia é um momento único encetado por Sócrates e finalizado, no sentido de atingir o fim almejado, por Aristóteles. Depois, o que vem são  os filósofo-operários ou discípulos dos três grandes e únicos filósofos de fato que existiram no mundo : as abelhas-mestras das quais nascemos, pela filosofia deles,  e das nos nutrimos para filosofar. Essa nutrição ou nutriz é que mantém viva a filosofia, assim como a rainha mantém viva a colmeia.
A filosofia, assim, emancipada do discurso, da ciência, do conhecimento, apartada da erudição, livre do jugo da ciência e da arte, analisa o discurso enquanto objeto de estudo, bem como a ciência, a religião, a arte e a própria filosofia ; pensa-se a si mesmo.Não busca a verdade, que é tarefa e verificação que cabe à ciência, nem à realidade, mas apenas contempla a face da sabedoria sob o véu da aletheia ou desvelamento.
Seria a filosofia a sagrada religião do pensar livremente, se as frenagens da política e outras armadilhas criminosas esparsas nas convenções sociais pelos animais alfas e betas?!
( POESIA PARA UM OBOÉ SILENTE
A mole do edifício que constitui a massa humana 
do período político adventício.
A mole humana!: Massa!
Homens cimentados juntos, 
destituídos da maior parte de sua individualidade :
Gêmeos siameses, 
almas gêmeas
 e outras expressões cavilosas
que lembram essa engenharia 
ou reengenharia
de um homem jungido a outro
( ou a uma mulher )
membros ligados por argamassa
Massas com argamassas 
são esses homens-gêmeos
assim presos
uns aos outros
em corrente
- Homens em correntes longas 
como fantasmas nas galés!

( Pego um lápis
e desenho um Modigliani 
na atmosfera para barômetro
Lápis-lazúli não em gema
inconsistente
porém com a pedra preciosa
que rasga o véu azul
retrato
mulheres que amei
pela galeria de Modigliani
- minha pinacoteca de solidão sólida
com mulheres feitas de teias de aranha
inexistentes
que nem arranham o museu
nem tampouco o arranha-céu
de déu-em-déu
nas pombas em revoadas
Ah! a vida!
é essa galeria vazia
esse museu mudo
com mulheres pintadas
na inexistência
- fincadas no limbo!
com oboé solista
 tocando 
sem sopro arcangélico
de músico

E o fauno ali
no jângal interior
que sou por dentro do rododendro
do dendrito
passando pelo sistema nervoso autônomo
vegetal 
alma do animal 
livre dos autômatos
- vegetativo em mim!

O coro de sátiros em mim
como na tragédia grega
- por trás de tudo o que sou
e nem sei
senão no canto ditirâmbico )

quarta-feira, 6 de junho de 2012

NINFA - wikcionário dicionário wikcionario wik dicionario






A  ciência não é, em sua essência, um ente existente de fato, mas tão-somente de direito, ou seja, a ciência é um conjunto de normas que informa, dirige e vem a dirimir conflitos intelectuais ou de tese por meio de seus princípios e no âmbito do interesse contextual de uma classe dominante. Para exercer tal poder é essencial que esteja sob a área do poder, que é sempre político : a política vem definir o que deve ser objeto de obediência servil, subserviência e liberdade com seus sujeitos. Os sujeitos da política  são os senhores do seu território e seu tempo com todos os artefatos culturais : linguagens, leis, obras de arte, palácios, choupanas, poemas, instituições, empresas, etc., objetos ou artefatos estes que estão sob seu controle a exprimir sua alienação enquanto políticos, filósofos, profetas e todo tipo de alienação do homem ou do pensamento humano cortado em conceitos e desenhados e pintados sobre a máscara e o corpo do homem que se representa em ato de teatro social, etc.
Os políticos são esses sujeitos de direito e força ( poder) que dominam  as demais pessoas tecidas na suti e frágil teia de aranha da massa submissa; as demais pessoas são meros e insignificantes objetos ou escravos dos quais se servem, sem pudor,  o sistema vigente-imponente, prepotente, plenipotenciário. Esse "sistema" fora boca da teoria é movida pelos políticos, que são e põem a tese do filósofo, do pensador , no mundo. Eis toda a "práxis" sem romantismo marxiano-hegeliano. Al Capone era um político; o termo "criminoso" somente surge quando o político não logra o reconhecimento público durante a vida e pós-morte, por motivos de interesse de outros políticos que se utilizam de usa imagem mesmo após a morte, caso essa imagem seja benéfica aos políticos usuários dela (imagem).
Isto, este texto,  não é um libelo contra a política, pois os sábios podem atestar, provar, por notório,  que o político sempre foi assim como o são todos os homens ( somos!) : nem bons, nem tampouco ruins completamente, um vislumbre da furta-cor colocado pelo preto e branco;  e a história não conserta o futuro, exceto redesenha-o ardilosamente pela face da utopia dos filósofos, os quais, aliás, são ineptos para comandar o estado e suas bestas humanizadas pela doutrina humanista-iluminista dos filófosos, que sonham um mundo sem homem algum, sem atropelo ao verde plantar do que deita ramas e raízes.
Os políticos não são abomináveis ( todos os somos, no fundo, ó necromantes!, não são piores que os profetas, nem quaisquer alienação do homem numa personagem da arte teatral social, a grande e real arte ), são, em verdade,  tão necessários quanto os demais seres humanos, porquanto a sociedade não sobrevive sem nenhum desses diversos atores e sua "vida" constituída pelo teatros desses atores, desses hipócritas, pois atores são artistas da hipocrisia ou das conveniência de se viver em sociedade complexa. Sem comando a sociedade perece, assim com quando o comando é excessivo, abusivo,cruel, irracional, etc., pois  ao escarnecer do menor ser humano em hierarquia de classe ou casta, desmancha-se a comunidade precária dos homens, estribada em quase nada: o que significa, em conceitos tão mutáveis e frágeis que não toleram o menor excesso ou falta de água e sob o pouco e o muito vem a fenecer, perecer, falir.
Não é a sabedoria natural que  rege a ciência , porém o conhecimento, cujo contexto vital passa pelo interesse e atende a idiossincrasias de alguns indivíduos alfas ou betas, que estão no topo do mundo social-econômico-político ; os senhores que tomaram de assalto o mundo pelo direito, essa ficção normativa. A estupidez vem dirimir as questões científicas enquanto expressa a linguagem da vulgata, que informa, grosso modo,  a ciência enquanto política ao povo, ao populacho, ao rebotalho, à arraia-miúda destituída de intelecto. O rebanho com cascos e ferraduras, cincerro...
A ciência é algo mui menor que o homem, porquanto não passa de sua alienação. Ela, a ciência, é um acervo de conhecimento inferior ao do homem, mesmo enquanto indivíduo, conquanto este acervo esteja recolhido,  na literatura, museu, pinacoteca, academias, univerdades, enfim, nas várias formas do poder político, que é o que representa a ciência oficial : a política da ciência ( não a ciência política, porquanto ambas não existem sem o mando do político e o jogo políticos dos demais interlocutores interessados e atores políticos sem o cetro do rei, a coroa e a espada para perpetrar assassínio : os cientistas, artistas, poetas, filósofos, pensadores, eruditos em geral e sábios, os quais lêem direito na literatura natural, e no código de genes e outros códigos variegados e diversos para vários comunicados no universo).
Na ciência postada na linguagem da medicina, o corpo médico estudado ou conhecido, não é o corpo de fato, empírico, mas o corpo de direito, o corpo jurídico-político normativo; não a cognição, mas a normatização, o emaranhado de regras fincadas e vincadas por princípios filosóficos, que tem presunção de universal ou genético, e, no entanto, mudam de roupagem com a linguagem nova e assumem outros interesses, consoante ordenado racionalmente e sentimentalmente ( na paixão do interesse mais escuso ), na estultícia ou moira que se torna o conhecimento u ciência ao extrapolar a linguagem do real, no fato, na linguagem dissidente do irreal ou surreal no ato de pensar cientificamente, rigorosamente, mesmo porque as verdades ou realidades conceptuais são tênues demais e cada douto as separa conforme seu contexto vital.
A medicina, enquanto linguagem da ciência comunicada, através da vulgata, ou linguagem do senso comum,  não pode estudar o corpo real, mas o abstrato, genético, irreal, existente,  e, em geral, surreal, mormente quando objeto de doutrinas por vezes esdrúxulas, bizarras, exóticas, cerebrinas, abstrusas. A ciência, enquanto linguagem na ciência, na medicina, estuda um corpo sem fato, um corpo ou corporação de atos concatenados em regras, cujo conjunto dá a norma, e princípios filosóficos que levam a processo cognitivo ou de cognição, do mesmo modo que ocorre no direito e nas demais linguagens cujo escopo  é por a ciência no mundo pela via da linguagem ou das suas várias linguagens comunicativas e comunitárias, esotéricas ( para a confraria, os doutos, o postulantes, em noviciado..., enfim, os internos ou do círculo interno)  e exotéricas ( para  vulgo ou leigo ), consoante era costume de Aristóteles.
O corpo médico genérico, inexistente, dado pelo ser que está entremeado entre a linguagem e o pensamento, que dão ou possibilitam o ser enquanto objeto, outrossim inexistente, pois não é coisa ou ser externo ao pensamento e aos sentidos reais, não-fenomênicos ( não há sentidos sem fundo no fenômeno, ou seja, não existe o não-fenomênico, obviamente, pois é uma negatividade ou o nada dado pelo intelecto, um nadificação, uma nadidade : um nada mesmo, de fato não, pois o nada não há de fato, mas de direito sim, pois o direito, enquanto tipo científico, ou forma que a ciência assume,  produz a ficção dos objetos e, concomitantemente, da ciência, enquanto algo não coisificado, senão em atos, mas objetivado, realizado, pela impressão dos atos nas coisas conceituadas em objetos); tal  “corpo genético” ( genético-memético)  é apenas um objeto, mera ficção, abstração,  não uma realidade na existência. Está em essência no pensamento : é um ser ( algo cultural ), nunca um ente ( algo natural ), conquanto o cultural e natural possam se mesclar e são ecléticos quando o homem realiza algo com os materiais e energias naturais. As invenções são ou têm esse teor.
A ciência é estultície, ou moira, nem tanto e si ou em sua linguagem, ou suas linguagens, porém no homem, que se vira em contextos de prisões infinitas e não pode, senão raro, gozar, usufruir da liberdade, mormente quando a maioria dos homens que a exercem não são cientistas, eruditos ou sábios, mas homens do vulgo, prosaicos, mais preocupados e envolvidos com suas vidas mesquinhas, fúteis e prosaicas, que com a ciência, que eles nem sequer compreendem minimamente. Ostras fechadas, insuladas no seu ostracismo, na sua alienação integral, vinculados a seus apetites.
 No quotidiano não existe ou circula quase ciência alguma,mas suas falsificações oficiais, oficializadas, legalizadas e legitimadas pelo questão do pensamento que vem a cindir o que é de fato e o que é de direito, dando, destarte, destaque imenso à ficção. A ciência enquanto ficção do direito ou da presunção de ser ciência é o que temos cotidianamente. Isto representa a morte ou a falência da inteligência como algo geral, do povo, e não de uma elite mental escassa, restrita, privilégio de poucas mentes intelectualizadas, fora do alcance do vulgo e suas linguagens chinfrins, que consubstancia o pensamento mágico, consolidam-no.
Outro objeto que nos é dado e damos reciprocamente está na tanatologia, ciência cujo objeto posto em lógica ou linguagem (“logos” ) e linguagens a se reciprocar,  é a morte.  A morte é um objeto cego, como os demais, quase sendo cegos os objetos geométricos, que não o são, mas quase o são, por causa dos riscos a delinear a forma. Cego no sentido de que não podemos tomar contato com a própria morte, porém somente com a alheia. Não há a experiência própria deste objeto : morte, mas apenas a experiência de ver o objeto “morte” em um corpo para alteridade que, ainda morto, continua um corpo de alteridade. Não temos da morte nem a própria, nem tampouco alheia experiência, por isso tal objeto, no caso a morte, é cego de dois lados, não é vivido nem narrado por alguém que passa ou passou pela experiência de morte, excetuados os casos esporádicos de morte reversível que, na verdade,nem é morte.
Aliás, a cegueira dos objetos, no caso o de morte, é tripla, vez que não temos contato imediato com a morte, mas com o corpo morto, que não é o mesmo que a morte, ato mental, entendimento, inteligência de cada um. Trata-se de objetos que não passa pelos sentidos enquanto morte, mas tão-somente enquanto morto, nem do expectador nem tampouco do falecido, evidentemente. O objeto, portanto, não é algo real, porém mera ficção para compreensão e apreensão da realidade no mundo, dentro e fora do ser dado, como outro objeto : objeto de objeto, objeto a recobrir camadas sedimentares de objetos. A nadidade posta, a nadificação levada a cabo pelo conhecimento.
A ciência, em suas linguagens, trata de objetos não existentes no mundo,  objetos integrados ao complexo mental do ser humano, objetos simbólicos  presentes no ser do homem, o qual, (ser) , tem como escopo  contatar ou estabelecer uma espécie cambiante de alteridade de tais objetos com o senso do ser, que está praticamente íntegro nas linguagens. O senso do ser está no linguajar posicionado, exposto, posto,postulado, postulante ao anelo do possível, quando  o anelo é possível, não se refugia no idílico, a utopia, na ideologia ou qualquer forma de proselitismo ou sectarismo : doenças graves, críticas,  da estupidez, quando essa vem assolar o homem como a praga do fanatismo, o demônio da intolerância; enfim, qualquer forma de exclusão, extorsão ou constrangimento de outrem ou, por vezes, de si mesmo, como sói acontecer na maioria dos casos na auto-repressão, na castração ou mutilação.
Para encontrar ou estabelecer o ponto de intersecção entre os objetos mentais alienados do mundo, não passíveis de vincular-se, de fato, às coisas, seres naturais na borda do real e entes dados pelos sentidos, no ato de representar as coisas e os seres orgânicos e inorgânicos, mas, neste ato mental simbólico, alegórico, sem movimento corporal, físico, químico, elétrico, mas puro movimento mental-matemático em linguagem, a hipótese intelectual, móvel apenas no cérebro pela operação do motor-geométrico-intelectual, jamais no mundo material, ou energético, mas tão-somente no movimento-imóvel, paradoxal, do ser humano anteposto em hipótese, que o representa na passagem do universo simbólico ao universo real ao natural, no qual se legitima a ciência pelo ato de direito, que difere do ato de fato, ao juntar ou perceber a subsunção do hipotético ao real, d ato descrito na mente ao fato dado no mundo real dos movimentos físicos, o universo da energia vital, orgânica e inorgânica, antípoda ao móvel mental que é um ato de percepção e legitima apenas o movimento do intelecto ao desenhar ou esboçar o triângulo e do triângulo  desenhado na forma que constrói toda a geometria,  para mensurar, e após o ato de mensurar, inclusive a categoria de quantidade, um dos dois “nous” que informam o “logos”, desmensura na categoria de quantidade : esta  apta a dizer ou contar o número, e daí, deste ponto solitário, no ser do homem, pensar o teorema, ou seja, proceder à subsunção, a qual legitima a ciência, movendo-a por atos imóveis da mente, livre da energia e da matéria nas figuras geométricas, que são puras formas, que não se encontram com a matéria ou movidas por energias, nem mesmo as cerebrais, porquanto uma figura geométrica  é um ser posto pelo homem  fora do alcance da natureza, vinculada indissoluvelmente à cultura e, antes da cultura, à formação mental historial do povo e indivíduo. A subsunção é o nó górdio que une  o mundo hipotético à realidade, através das linguagens-objetos- objetivas :  A conexão natureza-cultura.
O ser humano se move e se transforma em ser, ou indústria de pensamento, ao se mover pelo impossível inexistente, pela inexistência, ao criar os instrumentos tecnológicos-linguísticos para tal : o nada, a não-natureza ou cultura, o ser, o não-ser, que cumpre a função antitética que faz  o movimento na imobilidade natural, as linguagens, ou seja, todo um universo fora do mundo real, palpável, visível, erigido pelos sentidos, universo em que se move o homem enquanto ser de si e dos outros objetos.
A lacuna entre o ser do homem e o mundo é o que cria a ciência, o conhecimento erudito, que é uma forma contraditória da sabedoria inata, uma lacuna, o conhecimento, calafetado com regras que, no conjunto coerente, se transforma em norma, princípios de cognição e de comandos rituais : o conhecimento é o princípio eclético . Essa lacuna, entre conhecimento erudito ( ciência ) e sabedoria nata, abre outra lacuna : a bifurcação  espácio-temporal ( e também fora do espaço e tempo empírico, porém na ambiência de um espaço geométrico e um tempo rítmo-musical ) entre pensamento e ação, o qual  põe,racionalmente,  o pensar como um agir diverso do ato em natureza : ato sub-curvo que dá no encontro do ser com o ente e a subsunção na coisa ou na vontade que colhe e tolhe a coisa industrialmente. O pensamento, outrossim, se transforma em ato separado, imediatamente, do ato, ou cujo liame com o ato ocorre num lapso de tempo, que também separa pensamento racional e ação, ou seja,  tem o condão de cindir a inteligencia em diversas porções.
A sabedoria natural ( a sabedoria é sempre natural, não cultural) não estabelece dicotomia entre o ato de pensar e o ato de fazer ou a fabricar fato , que, quando inata, é imediata práxis e acontece em um movimento único, uno, indissolúvel, por isso sem paradoxo ou  perplexidade, anfibologia,  próprias ao ato de pensar, ou se alienar do mundo, no conhecimento, mesmo quando o ato vai de encontro com este mundo sob a forma de técnica para fabricar  e com o fito de modelar ou elaborar apetrechos tecnológicos, ritualísticos  e outros.
O problema de toda doutrina de um sistema de doutrinas ( e tudo é um sistema doutrinário-dogmático quando  o pensamento se contextualiza e cada teoria narra a sua história confrontando com a alteridade das anteriores, historiais, e  atuais, que a informam e confrontam, medem território para uma  alfa-doutrina ou beta-teoria, uma gama-tese) é que o sistema se comunica e mais : uma teoria é a outra se se muda os detalhes de sua carga e descarga na verdade, que é a verdade ou verificação do autor ou dos autores em conjunto no sistema que rege o pensamento, coagindo-o à moda do conto da carochinha que versa sobre a roupa nova do rei.
As diferenças nas teses são de sutilezas tais que umas podem se transformar nas outras com pequenas modificações nos conceitos e no contexto interno do autor e da comunidade do autor. As doutrinas são cheias de pernas, centopéias a perambular  no sistema ou teia de aranha teórica, cuja diferença de uma doutrina para outra pode ser modificada até com  sentido culto e oculto que os vocábulos guardam para as variantes de leitura e literatura, bem como o contexto interno e externo, as idiossincrasias, os interesses políticos, a paixão que move a roda do tempo onde se acha o nicho da literatura, enfim, uma gama de atos e fatos concatenados e coordenados visando um fim determinado previamente ou observados pó-literatura, como n caso de um Kafka, cuja leitura-literatura exige outro tempo, que não o vivido pelo escritor ou fabulista. O mesmo se dá com Vincent van Gogh na literatura do olho.
As dissenções  que ocorrem entre os filósofos e pensadores está assente no fato de que as teorias não guardam discrepâncias essenciais  entre as teses, mas  divergências em torno de frases, palavras e até normas embutidas nas teorias como se fossem  conhecimento ou sabedoria, pois, em geral, há uma confusão conceitual, pelo meu sistema, entre conhecimento e sabedoria : o saber impregnado no ato e fato natural e a erudição ou inteligencia por linguagens simbólicas no conhecimento que informa a ciência e a constitue enquanto sistema pensante por signos e símbolos e, posteriormente, sistema agente por técnicas, no caso da linguagem do fazer os artefatos e não mais apenas conceituá-los discursivamente e por meio de desenhos, regidos pelas normas geométricas contextuais. Cada inteligencia cultural tem seu Aristóteles e seu Euclides, sua Alexandria, sua Mégara, sua Atenas, sua Palas Atena, seu Partenon. 


 POEMA EM ÁGUA DE CLEPSIDRA ( POESIA AQUÁTICA )
O homem é o tempo encostado no muro
O ser e o tempo
é o homem
Preclaro ente sob o sol no zênite
no arrebol do nadir
( impotente corpo
com o ser todo encarcerado no tempo )

O tempo na clepsidra
pura água contada de cascata
é o homem
- cachoeira em queda e canto
nos cabelos escachoantes
da bela mulher
deusa e senhora e ninfa do rio São Francisco
e de tudo o que é água e remo
e remar até o mar
e lá chegar a amar
o mar recíproco
da alteridade no amor
- na paixão ágape de Cristo
com água benta
de São Bento Abade
( Água motiva a vida
- locomotiva! )

O tempo nas areais do relógio de areia
- ampulheta!
é o homem
inventado
inventariado
na cultura
na outra margem da flora e da fauna
que pisa o fauno na erva
- a energia  vital do sátiro
a inflamar o anelo sexual do deus Eros
no ato que é a primitiva paixão pela prole :
- o coito!
( Valhacouto!...)

Um tempo no fonógrafo
o mesmo tempo
extemporâneo no daguerreótipo
- na flor emaranhada nos olhos em feixes de luz
do daguerreótipo

O tempo sob a luz
é o homem
- tempo que se gasta
desgasta
nas folhas do outono em tombo amarelo
de decíduas plantas
em folhas no colo do solo
de violinista amarelo-soluço
- soluçante!
no violino a gemer melancolicamente
em espasmos
até que a energia
que o fazia homem
vá se transmutar em matéria morta
a exprimir a equação de Einstein-Planck
os dois gênios da luz
e da mágica lâmpada sem Aladim
de pensamento mágico
- no tempo do pensamento mágico!
anterior ao sopro do oboé
no anjo em mensagem na equação,
negra mamba!,
a encetar a peçonha na rainha Cleópatra
em em mim
quando chegar a hora do fim
porque somente aceito a minha morte
por suicídio
sem lei
rei
ou Deus
que seja!
( Não seja!)

O retrato tirado ao sol em feixe de elétrons
é o homem no seu tempo de vida
com a areia molhada ou úmida
gravada em quase pedra na face
viva quando havia água no tempo

A fotografia é o homem :
a invenção do  conhecimento
e a consciência construída
em arte trágica
da morte e vida
fixada na pedra da luz
petrificada
vítrea no retrato
( A fotografia é a poeira de luz
que mantém em pé
sem cair com a face ao pó
o anjo na eternidade
sendo o eterno
ou a eternidade
apenas a sinalização da inexistência do tempo
- ou o tempo morto em folhas amarelas outonais
servindo de moldura
para uma existência
agora sem tempo
e sem viço de vida
na erva que vegeta
na floração do tempo
lírico no amarelo
que ama a flor-de-lis
e a flor silvestre
sob o sol só
solo
do deus sol
solista
solipsista
em solipsismo )

Todavia, antes da morte no pó de luz do retrato
após a infância
sob as asas da mãe
o homem é emparedado vivo na solidão
brusca
abrupta
cáustica...
e assim frágil em seu ser
( empalado! vivo,
condenado ao empalamento cultural
e a solitude na enxovia!...)
é lançado contábil-juridicamente
no rol dos condenados ao empalamento
lento
modorrento;
enfim, a ter o fígado devorado
por um abutre
até cair nas águas do rio Estinge
e afogar a solidão
com a mágoa
que toma a água
- bebe a água
e o vinho
sem sangue de Cristo
derramada na vinda da vinha
em vinhedo

O canto do retrato
avença uma avenca que havia
naquele canto de galo
tartamudo
no arcanjo clepsidráulico
no branco da água
- branco-incolor
na transparência da concepção inefável
da Imaculada Concepção,
Conceição!
- maculada

sexta-feira, 25 de maio de 2012

REVERBERAR - wikcionário dicionário wikcionario wik dicionario


Tudo no homem ou que move o ser humano é linguagem ou são linguagens, pois dentro de um código lingüístico há códices mais amplos ou que ampliam a linguagem em diversas formas de contemplar  o universo vivido e pensado.  Aliás, sem as linguagens para atender o nome ( o “nous” verbal, verbalizado no discurso escrito, falado, pensado e cantado na forma do signo e do símbolo, nos quais  estão o significante e o significado, o desenho ou imagem em modo de símbolo, que dá o significado ou conteúdo comunicado, expresso,  e na forma do signo, que dá a forma não-imagística, desligada do ícone ), o qual, nome, detalhado em conceitos que fixam o objeto da linguagem ou da ciência, é,   ou objetiva, tem por finalidade,  fim aristotélico, nomear ou descrever o objeto, que é dual : o objeto que, como o significado e o significante,  se biparte em forma, como no signo, e em conteúdo, no caso da lingüístico o significado,  porquanto o conteúdo é o ser dado pelo observador, que, ao observar, dá-lhe o ser do homem que observa, daí  a relatividade da verdade,  um valou ou axiologia referente ao ser.
O conteúdo tem mais do ser do homem que do ser de si, que se prefigura em Kant como “coisa em si”, algo não observável, mas pensável, num pensamento incômodo, crítico, fora da realidade não –pensável, ou da realidade sensível, sendo para Kant  o ser “apenas uma posição” , algo posto no mundo,  ou “positivo”, ou “não-impossível”, para ser redundante até a ênfase máxima,  como o direito posto, possível, postulado, em posição ( tese) no mundo das coisa sou natureza,  na forma do direito positivo,  ou lei,  oriundo de ato ( humano!) e que se torna fato social, jurídico, etc., extraído da da mente humana e posto ( posição, tese)  no mundo enquanto alienação do pensamento ou pensamento alienado do cérebro ; mais do que o cérebro : do pensamento ou idéia originária na mente humana ou da divindade, o ser supremo, que dá a criação suprema : a natureza, consoante a voz do divino Platão.
O outro ser pensável ( ou impensável, impensante, fora da esfera do pensamento , na transcendência, destituído de imanência) é  o “nous” ou inteligência na categoria da quantidade, que difere da categoria aristotélico-kantiana,  da qualidade,  cuja função é suscitar o nome ; esta categoria contempla ou põe no mundo a idéia de quantidade por meio do numeral. Esta categoria se expressa pelas matemáticas em suas mais variegadas linguagens, as quais visam o espaço geométrico e numérico, que são espelhos um do outro e objetos de especulação filosófica e científica, bem como artística, no sentido lato do termo arte.  A expressão da categoria em tela  é  o ser do homem refletido sob os auspícios de outras linguagens, exclusivas para exprimir as realidades e idealidades do tempo e do espaço onde estão as coisas, que  vêm ao ser humano como objetos e retornam no anel como objetivo, finalidade aristotélica.
O “nous”, ou inteligência, ou sabedoria , enfim,  só pode ser expressa comunitariamente pelos “logos “ do nome  e do número, ou nas formas de linguagens a contemplar a semiologia ou semiótica , a qual  se inclina ao estudo de signos e símbolos , ritos,  todo o conjnto signficativo ou de significados , não somente escritos e falados, mas também esparsos pela cultura e pelo corpo individual e social anatômico e fisiológico,  no sentido ou realidade simbólica ou fática desses corpos , e do número,  no ritmo corporal e social, que é movida pela musa da  música,  no mito, que  esconde a melodia calada nos gestos, e neles proporciona a aparição da  dança,
Uma melodia e ritmo escrita  apenas para o corpo  de baile ou balé, e outras danças,  a demarcar o ritmo do tempo e os contorno do espaço geométrico, seja o que seja a geometria para a cultura e o indivíduo e está no ser das matemáticas,  no corpo, em semiótica, ou na mente envolta na semiologia ( névoa?, uma certa névoa?) , na escrita dançando dentro do pensamento, nas duas formas de conhecer ou dá a conhecer e comunicar a inteligência, ou sabedoria ou “nous”,  expressa pela semiologia ou semiótica, com suas vestes, pantomimas, mitos, ritos,  enfim, tudo  que compõe a literatura não somente artística, mas também  científica, religiosa, etc.
Não obstante, há uma inteligência sobre a semiologia que a separa da  semiótica, a qual, esta última, estuda sobre todos os fenômenos de significação,  escritos ou “dançantes-cantantes-inebriantes”, impressos pelo vestuários, artefatos, enfim, de  todo e qualquer material significativo dentro de uma cultura determinada ( ou indeterminada), enquanto a semiologia se restringe a algumas leituras ou literaturas, no caso médico ou psicanalítico, a saber  : a semiologia médica ou propedêutica, por exemplo, possibilita a leitura de diagnósticos de patologias ou disfunções, partindo, destarte, o coração da semiótica, que é um estudo genérico dos sistemas de comunicação; aliás, o que a semiologia também o é, excepto quando se refere à propedêutica da medicina, , veterinária, odontológica, enfermagem e farmácia. Mas não nos envolveremos nessas dissenções ou sutilezas técnicas, que é caso de doutrina e corrente doutrinária, o que quase nunca leva a ponto pacífico , mas a entendimento vário. Aliás, o que enriquece a inteligência é a discrepância douta.
Os vocábulos  “nous”, em voz  grega, sabedoria ou inteligência , referem-se à mesma realidade inata, guardando cada uma suas nuances de linguagem, língua e cultura, ou seja, cada uma tem um contexto ou memória vital do tempo em que falavam ou exprimiam a idéia no tempo e para o tempo com o espaço circundante perdido para a arqueologia. Já a palavra para conhecimento ou erudição faz parte do mundo criado pelo homem,  através da cultura, que contém semiologia ou semiótica, forma de ler e escrever a realidade com signos e símbolos corporais, comportamentais ( ritos )  e abstratos ( pensamentos, doutrinas ) .
Essas duas formas ou realidades da sabedoria consubstanciada no “nous” ou inteligência natural, ou sabedoria, em natureza não são dúplices, mas juntas, unidas em uma única expressão simples e ao mesmo tempo complexa  , porque o “nous”, ou inteligência inata, ou sabedoria “in natura”, não estão separadas, insuladas, mas unidas, tal qual Parmênides faz ao enunciar o ser como o “todo uno” ou unificado, sem separação de pensamento, sentimento e  ação, como sói ocorrer no ser humano, que, para  comunicar tal fenômeno precisa de linguagem dicotômica, bifurcar o ser em ser e não-ser, como o fez o filósofo eleata  ao fazer a comunicação do ser, pois a linguagem do “logos” é fundada na dualidade, não pode conceber ou conhecer a unidade, que está “in natura” e não pode ser passada integralmente para o saber, à exceção dos casos da meditação e do ioga, zen budismo e outras filosofias que vivem de contemplar religiosamente e filosoficamente a realidade envolta na teia de Maia ou ilusão e que, por causa disso, não vêm a lograr explicitar comunitariamente o “nous”, a inteligência, a sabedoria, que não pode ser explicada, mas apenas experienciada ou experimentada  por um indivíduo , em experiência personalíssima,  algo  empírica, durante sua iluminação ou ao se por no mesmo estágio de pensamento-sentimento-ação de Buda e outros seres desse naipe, dessa grandeza, que alcançam vôo até  o nirvana libertador, ou que dá a libertação da dor e, conseqüente,  abandono do mundo, mergulhado no sofrimento ou paixão.
 São linguagens , dentre outras : as relações de parentesco ( genealogia), os jogos,  a ciência, com  sua nomenclatura e jargão , a religião, a música, enfim,  os mínimos movimentos físicos e mentais do ser humano é linguagem. Mesmo a metalinguagem ou metalingüística são linguagens, assim como a física e a metafísica.
A linguagem acorda o pensamento, que se movimento no seu âmbito conceitual-contextual. Não temos memória quando não temos linguagem, pois a linguagem e a criatura ou construtora ou  que retém a memória.  Tempo que recordamos da infância é o tempo da linguagem e restrito à linguagem; o mesmo se diz no fim da vida, quando as doenças que apagam a memória também são as que desmancham a linguagem. Não nos lembramos  do que não exprimimos e o que ainda na expressamos não consta nos arquivos da memória, os quais dependem da linguagem e sua extensão, amplitude ou seus limites.
O pensamento está todo na linguagem. Fora da linguagem, que constrói a erudição , encetada pela religião, que é uma poesia,  a mesmo tempo que na sua outra face virada a Jano, o Bifronte,  a divindade esparsa pelo nome que atende por Janeiro, mês e rio, na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro; além de erudição consubstanciada na poesia, é uma política, as quais,  política e poesia,  estão em  concomitância com a realidade e a idealidade, que são facetas das linguagens,  solicitam e vem a suscitar uma literatura, a qual leva ao teatro e à música, à filosofia e à ciência e todas as artes : a arte, que é a vida, em comunidade ( política) ou fora da comunidade ( anacoretas ) , a arte das obras de arte , a arte dos artefatos técnicos, tecnológicos,  descritos, em linguagem de tecnologia, sob as equações algébricas  que abordam o mundo enquanto objeto no  desenho geométrico do tempo e matemático-motor do tempo.
A política é uma arte na vida diária, cotidiana, prosaica; não obstante, sua expressão não se dá dentro da realidade, mas na idealidade da  linguagem cifrada no código. Na arte viva, de exercer ou executar a política, que é uma linguagem corporal no sentido anatômico, fisiológico e antropológico, a política como a religião, que também é política com objeto e objetivo diverso, e, ao mesmo tempo, como o mesmo objetivo final, finalístico, teleológico, é dada, fora da realidade, pela linguagem cifrada na idealidade da poesia, mesmo porque muito do que existe na política é tabu ou objeto sacro  e de culto, tal qual na  religião,  e não permite exame de fato, mas apenas de direito, que proíbe em lei o exame de de fato, sob pena  de morte, metafórica ou real, de degredo, ostracismo, processo inquisitorial ou outras ameaças ou vergastadas reais e lancinantes. A política é o sagrado-profano , um “contradictio in adjecto”.
A linguagem move o pensamento com signos e símbolos, que vão  tirando à natureza, da observação da natureza das estrelas, observando o céu, e contando sua história poético-linguístico . Desta “estrita observância” nasce o pensamento, que então encontra raiz nos signos e símbolos para sobreviver e passar de imaginação á memória. Da imagem, que engendra a imaginação, vem tudo, todo o desenho geométrico euclidiano ou cartesiano ou de outros geômetras em culturas diversas, com os árabes, que fazem da álgebra uma doutrina para a geometria dos arabescos, a bela e artística e prática geometria dos povos das Arábias.
As inúmeras formas de linguagens desenham o objeto : a arte capta uma espécie de sabedoria, o conhecimento ou erudição  busca  e vai a encontro de outra forma de sabedoria e assim sucessivamente, em todas as formas de linguagens que, de mais a mais , trazem no bojo, várias formas de linguagens  ou seja, a linguagem  é  uma gama vasta de linguagens que se apertam num mesmo espaço metafórico ou mental; aliás, a mente é uma linguagem inserida em outras linguagens .
A sabedoria , por sua parte,  é a substância do conhecimento ou seu objeto, num certo sentido.  A sabedoria é dada pela natureza como o mel, a própolis, a cera de abelha ou a flor-de-lis, quando não em linguajar de brasão de  famílias nobres ou reais. ( Seriam as outras famílias irreais e apenas a do rei ou governante  real?! : com esse preconceito ou conceito de elite, s e faz a história, se é que há alguma história fora das linguagens que motoras do mito, da lenda e dos ritos, seus movimentos teatrais, que cumpre outra função e tem outro objeto e objetivo enquanto linguagens independestes?).
A sabedora não é linguagem, mas sinais, imagens , sem  a carga intelectual  corrente nos signos e símbolos, os quais constituem a linguagem em seus sentidos e significados.  Aliás, a linguagem tem  fito de dar um sentido ou por uma gama deles á escolha do ser humano, conquanto a vida, que é a sabedoria em última instância e que não te conhecimento ou erudição, é rude, não tem poeta, nem filósofo, outrossim, não tem sentido algum, embora a linguagem provê sentidos imaginários suscitados  em sua linguagem, que em si, na sua finalidade aristotélica, busca um fim, a escatologia, o sentido para a vida; sentido esse que somente tem essência de linguagem.
Os sinais e imagens naturais não são pensados pela natureza,  porquanto a natureza  não pensa, a sabedoria não separa pensar de agir, que é um todo inconsútil;  essa dicotomia, esse “maniqueísmo” no sentido lato, é atitude peculiar ao homem, um atributo exclusivo do ser humano, que é o ser e dá o ser na linguagem ou linguagens( que a linguagens são linguagens infindas  metidas dentro de uma suposta uma e única linguagem);  a natureza não lhes dá sentido ou significado, não tem necessidade de correspondência, pois é uma, não conhece, não  é erudita, portanto apenas sabe ou sente e no sentir age e o sentir é o pensar ao mesmo tempo e n mesmo espaço ; quem o faz é o homem, que lhes dá um ser em forma de linguagem, que são linguagens imbricadas ou embutidas, implícitas e explícitas, exotéricas e esotéricas, tal qual as explanações teóricas de Aristóteles. Aliás, foi o filósofo Aristóteles que tornou a linguagem do “logos” grego em lógica e gramática.
(  POESIA COM ANTOLOGIA POÉTICA, MUSEU E PINACOTECA  
 
A criança ( no caso, meu neto )
vê o mundo como um objeto
ou muitos objetos
todos "pertenças" suas
sob seu comando ou governo
sua norma
seu direito
sua hieráldica...
seu reino animal
e vegetal ( protista e monera )
e mineral
nas gemas, em mineralogia
na casca do ovo mineral
em geodo...
( Quero, quero-quero querido,
em voo no montante azul do céu!...
- quero uma pinacoteca para pintar Joan Miró ( fundação museu galaria fundação)
nas mãos do meu neto
- uma pinacoteca e museu para pintar Marc Chagall (galeria fundação museu pinacoteca )
com mãos de menino indômito
que sabe a arte de Salvador Dali ( museu galeria fundação )
na ponta e na pinta dos dedos sujos de brinquedos...
Quero um menino Jesus
bem-Jesus no afresco de Giotto (pinacoteca afrescos )
na antologia poética de Goethe, Byron, Baudelaire ( poética antologia poética)
e outros meninos assim
que cresceram para enlouquecer
no mundo dos insanos
no comando
ou em massa falida

A falência do homem em sociedade
embarcados na Nau dos insensatos de Goya, ( museu galeria pinacoteca arte )
Brueguel e tantos outros
que sentiram a dor moral
de carregar a cruz
que é o homem
no corpo físico-químico-eletromagnético
que é um gravame para a alma
e um fardo no espírito )


O infante ( caso do menino que amo
 
em especial dentre outros
seres aptos ao amor emitido
das emanações genéticas )
em seus domínios
( outrossim domínios de Lineu )
entre entes
que a linguagem em ciência denomina
ou dá o "nous" ( inteligencia )
com alma-espírito de "logos"
( lógica em logosofema )
na classificação sistemática que os distingue
em autotróficos e saprófitos e heterotrófitos...
todos objetos da linguagem científica de Lineu
que foi a criança-prima-sistemata
a explorar esse domínio
e dar-lhe nomenclatura
terminologia científica
e códigos ( Código internacional de Nomenclatura Zoológica... )
com parâmetros para delimitar um táxon ( morfológico ou ecológico...)
Essa linguagem emanada da energia pensante
brotada dos cérebros de Lineu-Aristóteles,
sistematizada na filosofia sem sim e com fim
que já está plantada
em raiz grega
no nome do filósofo de Estagira,
a qual veio ( como um veio! )
a constituir-se no sistema de classificação biológica
esboçada e realizada de cabo a rabo por Lineu
( um glifo ou hipogrifo de Lineu, essa linguagem da ciência!)
- fundada na sistemática, taxonomia, cladística, classificação científica,
nos conceitos de base, a saber :
taxa : domínio, reino, filo, divisão, classe, ordem família, gênero, espécie, subespécie, cultivar ;
- cujos conceitos associados são : organismo, táxon, clado, fenética, árvore filogenética,
origem comum, taxonomia de Lineu, zootaxonomia, sistema dos três domínios, tipo;
e, por fim, as normas que regem o sistema
ou arcabouço intelectual Aristóteles-Lineu,
expressas em foma de : nomenclatura binomial,
 Código Internacional de nomenclatura Botânica,
Código Internacional de Nomenclatura Zoológica,
Código Internacional de Nomenclatura de Bactérias,
Código Internacional de Nomenclatura de Plantas Cultivadas,
Classificação dos Vírus,
PhyloCode e BioCode.
( A criança, no caso, Aristóteles-Lineu
construiu esse difícil edifício intelectual
com linguagem completa para a ciência
esculpida em signos e símbolos
na mole da construção
( Ai! de ti, sapoti!
que a vida muda para aqui...
e por ali, lá, acolá, alhures, algures,
nenhures...
- a vida muda em planta
daqui ali
alhures ao largo do lago
- que lagoa!... que magoa!...:
e em quanta água!
quanta mágoa!!!...
Tanto coração magoado
fulgindo
e em fuga no cancioneiro
pioneiro
do trovador provençal...
...em árias
arestas
por áreas
aéreas
aráveis
da música
que é uma musa
e um moinho
de vento
no vento
que roda
no gramofone
no gravador
no disco de vinil
na discografia
no fonógrafo
no fonoautógrafo...
que gira
tanta mágoa!,
tamanha!...:
do tamanho da montanha,
descendente em cascata
aos borbotões
no olhar de quem não chora
para fora das lágrimas...
mas olha
- com a brasa brilhando
nos olhos de carvão
que marca a ferro e fogo
indelevelmente
ao ruminante no pasto...:
... ao  homem na indústria
no mercado negro
ou branco para o manto xadrez
em xale
chá em chávena
cachecol
mantilha...
enquanto a vida muda
muda
Muda, muda!...:
Muda de planta
vegetal
plano
piloto
euclidiano
cartesiano
aéreo
etéreo
sob ou sub
o helicoidal
que forra
o motor Otto
em forrageiras
na hélice
do hélio
que gira
a vida
em muda
de erva
de um espaço
a outro espaço
realizado
no espaço-tempo
( passo-tempo
tempo-passo )
do motor
em rotação
e translação
no DNA
a girar
a escrita
geométrica-geoglífica
em três equações
para as coordenadas retangulares
e cilíndricas...
descrevendo
a parábola
espiral
de hélice
na geometria
da videira
em gavinha...
Ai! que vinha!
- Que vinha a vinha
que vem!
em rotação-translação
pelo pelo em pelo
verde
uva
do movimento gavinha-DNA!,
heliocentrado
heliocêntrico ))

Volvendo à criança sob o domínio da vida
 
no caso eu
em corpo agora de criança
no império do corpo do meu neto
novo imperador de Roma
em tempo e ser presentes
- único tempo-espaço para ato
sem teatro gregário-grego
( os demais tempos
são visões de longe da mole da construção da torre dos fatos
na ciência e na vida
sendo a vida
sem dar voltas na biologia
muito mais que ciência
ou ciência-e-meia
embora somente haja uma ciência
com várias construtos de linguagem
que a fazem aparentar serem
uma ciência e meia ciência
ou um centauro e meio homem
na linguagem da ciência a revelar a mitologia
antiga psicologia-antropologia-
sociologia-geopolítica...
a vetusta economia da razão
até na salvação cristã presente )
observo, amorosamente,
no meu neto,
outro eu,
do outro lado do mundo
paralelo e alelo a mim,
a criança súbita
que acorda ( e discorda )
com o mundo
social em fábulas
mitos e lendas espargidos nas palavras
e a fluir celeremente
em rios de frases e orações domésticas
- para a criança em primeira dentição
( antes de serem dentistas )
Para esta criança em foco-criação
mesmo as pessoas
são objetos de sua possessão
nada demoníaca
mas imperial
inata
congênita
e elas não distingem
objeto interno ou o subjetivo "sujeito"
e objeto externo
ou o objetivo "objeto" fenomênico
dado pelos sentidos ( com pelos eriçados de gato!)
e burilado na razão-linguagem-ciência
afluente-"afluído-fluído" da ribeira da vida
no barranco arrancado com água
em não-H2O
mas salobra ao sabor dos minerais
que a bebem e embebedam
na mansuetude das relações imprevistas-imprevidentes
( Essa sensação de estar em solitude entre objetos
é o sentimento ou percepção
que caracteriza a solidão bruta
-   a paixão da solidão
na sensação de solitude
ou estar sozinho
 em meio ao caminho
- frente ao universo desmedido
- mediante objetos
e sujeitos que são objetos
no vaivém do cosmos
a  dançar dos olhos
vidrados em Dante e Drummond
no tempo que reviraram
nas vascas da agonia trágica
- dramática
na metade do caminho
onde havia uma pedra obscura
ou clara de clara de sol
que é um ovo, claro!
e uma selva sombria
- um jângal
onde se postava
a mamba negra
no umbral do Tártaro
a encurtar o caminho
com passos trôpegos
graças a picadura
e a peçonha
da Black Mamba
que me matará
ao 96 anos
quando eu  me der ao luxo
de me doar em vida
este presente de Cleópatra
para a morte
nas trevas da boca negra
da noite mamba
- noite não-anum nenhum
que é uma noite
mais noite
mas não-anum
( menos anum ) :
noite-mamba
a morte
de Cleópatra
a minha noite
na alma
escura
ou que escurece
com o avanço da peçonha
que traga o dia
pedaço a pedaço
de favo
alma adentro
se apagando
até as trevas
cobrirem tudo
como o véu ou voo oval da deusa
ou seus longos cabelos
negros
( outra boca de mamba?!)
 A vida é dramática
- há um drama vivido-encenado
do parto à morte
A morte apaga o amor
que conquistei quando maduro
nos olhos dela
ou dele
- o menino que amo
em tempo de neto
que há-se ficar me olhando
depois do meu caminho
achar uma curva
na equação da mamba negra
com a floresta negra
entre a geometria de Dante e Drummond ( poética antologia poética )
em intersecção
que fabrica o caminho
e o caminhante
o caminheiro
o caminhão
Chevrolet

Há-de vir ainda na maturidade
 
tempo para filo de filho ou filha?!
para eu me recriar
reciclar
no paraíso de amar
o mar que é uma criança
e a mamba...?...
- Não sei!
somente a vida sabe à vida
- vida eólica nos moinhos...
sozinhos
moinhos
- é o que somos!!!
Ai! : é o que somos! :
solitários moinhos
que nem sentem a solidão
que nos entorta a alma
na palma do coqueiro
que vibra e vira-se
na viração do vento... :Éolo.
Sozinhos somos
vida inteira
estrela inteira
caminho integral
grau a gau nos ângulos
em velocidade angular
a perambular
sem lar
ou mar
ou de mar a mar
até o último albatroz
ou gaivota pêca
andorinha pega...
Pega,
Pega-rabilonga
ou "Cyanopica cyanos" ) )

A criança 

após um interregno de tempo
observa que há sujeitos lá fora
captados pelos seus sentidos
que fazem dele,
então e estado de infância,
objeto dos sujeitos
que impõe normas ao infante
( toda linguagem é semiológica-semiótica
e trazem em seu bojo normas :
jurídicas, gramáticas, princípios filosóficos, geométricos-matemáticos, lógicos... )
- As regras, por seu turno,
originárias da linguagem
( a linguagem é uma norma no seu hermetismo )
faz a criança se sentir
 o que é para a linguagem
em ato-fato  :
objeto de normas ( somos objeto de normas! )
e, concomitantemente,
objetos para outros sujeitos
- sujeitos estes
esses e aqueles
que antes lhes parecia ou aparecia no fenômeno
somente como objetos
originários da subjetividade imperial da criança
- meros objetos
de e para uso
usufruto
e abuso pessoal
do império ou imperador de dentro
imerso no domínio
que é mais que um reino
e que uma ou dez repúblicas
quando da primeira infância
antes da dentição
e de Mourão com o dente são
e o podre a lançar
no telhado de vidro
do violinista azul, verde...
inodoro, incolor,
 insípido às vezes
consoante venha a soar
em harmonia ou desarmonia
com a musa-música na relação
que põe a dançar
a guerra ou paz
em período de um Hitler
ou dos Mussolinis
sempre trepados no poder
qual bugio, símio
- a expressão facial simiesca
aflorada em conspícua concupiscência
com a volúpia em volutas de gavinhas "desejantes..."
- máquinas de Delouse
( O animal outrossim
enxerga o mundo assim sim
como nós-animais-metades
( metade em atributo dado ao centauro
que somos não-sendo
e a outra meio-metade lançada em anatomia
em objeto para ciência
porém sem ousar "plissar" qualquer laivo de nomenclatura para zoólogo
se referir
e  ferir de morte!
o orgulhoso homem!
- adâmico ser
que odeia mico)
Entretanto, o animal ,
para inflação de orgulho no homem
 não acha uma linguagem
( que não seja a marca das patas no barro
ou na água plissada em senóides
que se auto-desenham e desdenham até o homem )
para por ali
em linguagem em símbolos e signos
uma ciência
que é um mundo fora do universo
e dentro da escuridão interior do corpo anatômico-fisiológico
- um extrato do simbólico
algo em ritmo ou algoritmo não-metabólico
escrito e desenhado fora da natureza
- retirados da natureza
cópias econômicas dos sinais naturais
postos pela cultura
que dá o ser ao homem
e ao universo-da-cosmovisão ( em cosmologia )
o qual vai da marco da geometria
que desenha paralelogramos
à não-geometria
que é um debuxo ou simplificação radical da geometria maior
e cujo fito é o de economia de imagens em signos
que escondem o símbolo-que -significa
no semi-desenho de semi-reta no significante
- signos estes que figuram na escrita das equações
( que toda fala e escrita é equação
fundada no princípio da identidade
do qual aflora naturalmente-dialeticamente
o princípio da contradição ou contraditório
que faz o processo ou relação processual ampla
extensa nos fatos no espaço-temporal )
e fazem reverberar a fala no desenho da senóide
a qual dá advento à geometria analítica
que desce aos detalhes das espirais...
que toda linguagem precisa de um clado ou clade
dos ramos da árvore filogenética
modelados em cladograma
ou geometria-clade
ou diagrama de organismo monifiléticos
seguindo a forma geométrica do desenho da árvore
em sombra e luz "in natura"...
O que se estuda presumidamente hoje
como ciência-cênica
não é senão informação
sobre a linguagem da ciência
- e ciência não há sem a compreensão-apreensão
de sua linguagem
pois a linguagem é que ilumina
e acende e faz ascender a ciência
que jaz apagada em sinais naturais
e artificiais
ai! quantos ais! mais ?!...
Ai! meu Deus
como a ciência é árdua
porquanto oriunda da dor moral
- uma taxa de "taxón" na espécie
que constitui o ser humano
ao ser sem o humus da terra húmida e humílima
viva n'água
( a mulher na anágua
e o homem afogado na água e mágoa da anágua
que o faz pecar
ou sonhar com o pecado pacato ao lado
no paralelo das linhas de luz e sombra
em face de Micheângelo Caravaggio )

A criança que fui e lembro
 
em ternura por ela em mim
aquela-essa-esta criança que sou-fui
já desenhava toda a geometria espacial
desde que me lembra o mundo
que vi da primeira vez!
Eu me lembro
que aquele mundo que vi
pela primeira vez
era geometricamente
o mesmo universo montado em geometria de hoje
pelo Euclides e Descartes de antanho
ao sabor das figuras das geometrias :
euclidiana e analítica
no circo de cavalinhos
em círculo
rodando
- até ficar tonto!... :
um menino às tontas
que fui-sou!,
serei enquanto for o ser
sustentado na leveza do nada
que o sustem no ar
ou fora do ar
no vácuo do vazio
do zero ao zero
e do zero ao menos zero
que não existe
nem é nada
senão pensamento
ou ser
navegante
galopante
no nada
dado
na nadificação
mental...
- mas com tanto miosótis nos olhos dela!
a pairar
palrar
- nos olhos dela
em fuga do negro ao branco do olho
que olha
e palra
comigo!
mais que o silêncio permite
bastando buscar o olhar
que olha
de soslaio
obliquoamente
eternamente...:
- eternamente Capitu!,
  Capitolina de Machado
que capitula
copula
ao olhar

( Os bichos também têm esse mundo objetivo-subjetivo
 
- só que não os transcreve
e assim não os retiram da natureza
e os põe-em-ser na cultura
O ato de transcrição
que separa natureza e cultura
é a linguagem :
A psicologia é uma linguagem hermética da subjetividade
dentro de outra linguagem objetiva
que a desnuda e vela simultaneamente
conquanto a filosofia sonhe ser o desvelamento de Ísis
A linguagem se aprimora no gênio-sábio-erudito
e por ter que nomear objetos dantes nunca percebidos
traçam uma onomástica que vai do neologismo
á conjunção de palavras em composição
para tentar expressar o que antes anida não fora exprimido
quer seja em equação ou em verso
A linguagem tira o saber da  natureza
e o põe em linguagem adequada
com determinado jargão-jergão
a fim de constituir em conhecimento erudito
o que antes era apenas saber natural
ou sabedoria sem voz ou vez
- pez mineral na tez )

Observo a criança
 
recém-lavada do amor
que uniu em um
o homem e a mulher
e fico a cismar
cá no meu bestunto
que o amor
é uma fuga
de si para o outro
e do outro para um terceiro
- no caso a criança
nascida do ato de amor

Quiçá o amor
 
seja a única evasão possível
num mundo em urbe
possesso
- e eivado de exorcistas
fanáticos
prosélitos
sectários
em redemoinho de psicoses
neuroses
demônios não-medievos
- diabos coevos
coesos com corvos
nos corcovados...

Ai! a paixão do amor
 
que retoma corpo no corpo anatômico da criança
se apaga
finada na morte
de volta ao escuro
ante-fetal escuridão
cósmica
sem cosmovisão infravioleta
para  a escuridão
que se segue eterna
interna
( O interior sem lanterna
do vaga-lume
sem leme
timão
que somos
ou não somos mais
- mas fomos
com fome
de ser
 outro ser
ou ente
desejado ardentemente!,
durante o arrastar pelo ardente sol
ou o quedar-se sob a escuridão
de antes do levante
e depois do que pôs o poente em pó
no ente
dormido
eternamente
ou acordado
e acocorado
brevemente
sob o girassol no sol
ou o palor do luar
na madrugada
latida
e cantarolada
a canto de galo
e cachoeira
a noite inteira
sem intermitência )